sábado, 30 de novembro de 2013

Sobre o ser e o viver

(...)    
      A vida se resumia a mostrar para as pessoas as suas qualidades. Muitas concretas, outras falsas talvez, ou então mascaradas, pintadas para parecerem reais. No entanto, no fundo ele próprio sabia que tudo o que demonstrava era para não perder aquela posição conquistada com tanto esforço, estudo e dedicação. Ou então para conquistar em um novo meio. Por um tempo isso não o incomodou. Contudo, tudo o que mais temos de especial encontra um fim. A impermanência das coisas não perdoa nada, não nos perdoa. Por que deveria? Somos seres patéticos vivendo uma vida de fantasia, distante da realidade, realidade que só pode ser observada quando paramos de observar e passamos a senti-la.
      O colégio foi sempre uma mamata, tudo era simples. Relacionamentos com garotas começaram tardiamente, o que se tornou em seguida uma de suas habilidades (e o fim disso também não tardaria a chegar). As dificuldades para manter o status começaram a aparecer na faculdade, mas foram superadas ou então ignoradas. Não dá para ignorar nada. As coisas ignoradas não são pedras que ficam no caminho quando desviadas. Elas se movem para a próxima curva, pegam atalhos para chegar na nossa frente antes do próximo destino. 
      O primeiro exame, a primeira reprovação em uma disciplina. Parecia o fim daquilo que o identificava, daquilo que as pessoas viam dele. Como contar isso para os pais, os tios, os amigos de infância? Os próprios colegas passariam a vê-lo com um comum. Ele não seria mais um dos melhores da turma, afinal tinha pego exame e reprovado. Aliás, foram mais de um exame, os quais vieram a se repetir a cada novo semestre.
      Algo mudou. Ele não era mais aquele que sempre foi. O que estava acontecendo ainda não era claro, mas para os outros ele não era mais aquele ser inteligente. Isso lhe doía, o fazia sentir vergonha de si, baixar a cabeça e não mais se sentir no direito de opinar sobre algo. Ora, como poderia? Ele havia morrido, mas seu corpo ainda estava lá com todas as suas funções normais. Respirava, comia, dormia, caminhava...mas se sentia morto. Algo tinha morrido, mas o que, afinal? Se não ele, o que?

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Diário de um aprendiz da vida

22/06/13, Parque Santos Dumont, São José dos Campos, 15:39h



BELEZAS DO DIA
O sol e as sombras das plantas. Fiz uma foto, mas ainda não sei como ficou. Poderia ficar meditando horas com essa cena. Fiz uma foto da minha sombra também.
Um sanhaçu-cinzento toma banho no jato do chafariz que chega até o galho de uma árvore. Ele parece feliz, indo e saindo de baixo dos pingos que voltam a cair sobre o galho. Fica alguns segundos sob eles e sai, sacudindo-se e retornando. Com a chegada de um sabiá-barranco ele parte.
Sinto estar vivo quando gotículas do chafariz caem sobre mim com a mudança na direção do vento. Com a frase "Nossos passos devem estar apoiados no Amor que Devora, porque é ele quem guia e justifica todos os seus passos", do livro O Diário de um Mago do Paulo Coelho, reencontro um caminho que perdi nas últimas semanas.

domingo, 26 de maio de 2013

Zen e a arte da otimização do tempo



Para os que como eu buscam uma mente concentrada, certamente se vêem em situações de divagações e perda de tempo com atividades que não trazem retorno ou então com um tempo mal empregado nas atividades que desempenham. Infelizmente, essa é uma característica comum em muitas pessoas e as razões podem ser diversas ou talvez uma, a qual ainda não me atrevo a comentar, pois requer ainda um tanto de reflexão e estudo.

Lá por 2004 meu interesse pelo Budismo começou a nascer e se aprofundou ao término do meu mestrado em 2009. De lá pra cá, tenho encontrado muitas explicações e formas para entender e começar a tomar as rédeas dos meus processos mentais. Comecei com o budismo tibetano (Mahayana), o qual me propiciou uma visão profunda da psicologia oriental e agora, com o budismo Zen, uma prática direta ao ponto-chave da questão.

Lendo o primeiro livro do Alan Watts, O Espírito do Zen, encontrei uma descrição perfeita de como me relaciono com o tempo e com minhas atividades. Se tu tiveres interesse nesse assunto, leia essa página com afinco. Primeiro leia ela toda para ter uma noção do que se encontra e depois volte frase por frase, parando um tempo em cada uma para refletir e ver como ela se aplica na tua vida, passando para a frase seguinte. Essa técnica de leitura é uma das melhores para a compreensão de um texto, pois primeiro elimina a ansiedade natural por saber o que tem no texto e depois nos propicia a calma necessária para a compreensão das palavras e das frases.

Os mestres Zen dizem que o conhecimento não está disponível para todos porque nem todos estão aptos a entendê-lo. A capacidade de compreensão começa pela paciência com o tempo e com o estudo e o primeiro passo é se concentrar no texto que se está estudando, esquecendo os demais compromissos e pensamentos. Zen é isso, ou quase isso. Zen não tem definição. Zen é agora.

Eis o texto (transcrevo aqui a página 113 da versão pocket da L&PM de 2009, referência no final do texto):

“O bom caminhante usa apenas a quantidade necessária de energia para se deslocar. Não deixando rastros, seu andar é suave e não levanta poeira. O taoísta diria que, se o caminhante levanta poeira, é sinal que está usando demasiada energia para a sua finalidade; com isso ele se cansa desnecessariamente, indo para onde não deseja e levantando poeira. Apesar de esta analogia não ser muito própria, o princípio básico é o segredo da concentração e do sucesso em qualquer forma de atividade. Devemos usar a quantidade exata de energia para alcançar um determinado resultado, mas como regra comum o homem torna a própria vida mais difícil do que o necessário, desperdiçando uma enorme quantidade de energia em cada tarefa que executa. Em primeiro lugar, o total de energia despendida é maior do que a necessária para fazer a tarefa; em segundo lugar, somente uma pequena porção dela é absorvida na execução da tarefa, pois está esparramada por todos os lados em vez de ser dirigida para um ponto. Daí o mestre Pai-chang dizer que o Zen significa “comer quando temos fome, dormir quando estamos cansados... A maioria das pessoas não come, mas pensa numa variedade de coisas, deixando-se perturbar por elas; essas pessoas não dormem, mas sonham com mil e uma coisas.” A mente descontrolada usa sua energia em inumeráveis aborrecimentos, distorções e ideias vagas, em vez de se aplicar a uma coisa de cada vez e, por esse motivo, nunca alcança completamente o que se propõe fazer. No momento em que começa uma coisa, corre para outras, exaurindo-se nessa tremenda quantidade de atividade desperdiçada. Em comparação com isso, a atividade do taoísmo e do Zen pode parecer insignificante, mas isso se deve ao fato de guardar energia em reserva; sua calma é o resultado de uma atitude mental dirigida para um único ponto; tomam cada coisa como vem, terminam com ela e passam para a próxima, evitando dessa forma todas as voltas para trás e para frente, todas as preocupações com o passado e com o futuro, pelas quais a atividade simplesmente se anula.”

Watts, A. 2009. O Espírito do Zen: um caminho para a vida, o trabalho e a arte no Extremo Oriente. Porto Alegre: Ed. L&PM, 144p.

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sábado, 6 de abril de 2013

Gentileza gera gentileza: tanta gente fala, mas poucos a aplicam



É como eu digo e tento colocar em prática. Atitudes positivas tendem a gerar atitudes positivas. O filme "A Corrente do Bem" é mais um exemplo. Mas vamos tentar colocar em prática, pelo menos em mente. Imagine a situação: tu passas por esse agente de trânsito que, ao invés de te multar por estares sem cinto, conversa contigo naquele espírito que viste no vídeo. Tu não sairás com uma sensação de positividade? Será que na próxima situação em que tu te envolveres de stress, tu não estarás mais apto para agires positivamente também? 

Penso que um dos grandes problemas do jornalismo de hoje é veicular quase que exclusivamente situações negativas (crimes e outros tipos de violência). Acredito que isso tenha um  impacto negativo sobre a positividade das pessoas. Ora, por que serei cordial com essa pessoa se a qualquer momento ela pode fazer algo contra mim? Creio que é assim que muitos pensam devido ao autocentramento que as situações negativas geram. Isso acaba gerando feedbacks que só aumentam tal efeito e os disseminam. Lembro das palavras de Thoreau que dizia preferir ficar longe dos jornais e a cada dia entendo mais ele: "Benditos os que não lêem jornais, porque verão a Natureza e, através dela, Deus".

Toda vez que tu sorires e ajudares alguém, tenhas certeza de que isso gerará uma reação em cadeia positiva. Seja lá o que fazemos no nosso dia-a-dia, como esse agente, temos o potencial de transformar a realidade. Vejam o poder do indivíduo, vejas o teu poder. "Let's change the world" começando dentro de casa e ao sair pelo portão dela.

Assista o vídeo do guarda e para completar uma música gostosa com cenas do filme Corrente do Bem. Atentem-se para a última frase no clip.

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Uma breve sobre os rumos divergentes entre a ciência e a política


O post anterior me fez pensar na questão levantada na orelha do livro  "O fim da ciência" de John Horgan: "A sociedade faria melhor em reduzir os esforços de natureza científica a que tem se dedicado e concentrar mais seus recursos na aplicação do que já se sabe, de modo a melhorar a condição humana?". Em outros tempos talvez eu diria que sim, talvez amanhã voltarei a dizer que sim, não sei...tudo transmuta no tempo e no espaço, certo? O fato é que o cientista tem que estar na vanguarda das descobertas, movendo-se atrás da "verdade inalcançável" e o que em si foi gerado de conhecimento deveria ser aplicado pelos nossos tomadores de decisão (políticos!) de forma racional e baseada na ciência. Só assim é que teríamos uma melhora gradativa na condição humana (física e mental). Numa analogia, o cientista seria como uma perfuradora abrindo a rocha e os tomadores de decisão os operários que viriam atrás reforçando a fundação do túnel. O problema é que hoje os políticos querem perfurar a rocha em caminhos próprios, baseados em seus interesses e sem base científica nenhuma. O resultado disso será um desmoronamento do túnel com prejuízos para todos, uma vez que esses foram pelo caminho sem base e os cientistas e a sociedade ficaram sem os reforços atrás de si. No fim, vejo que as topeiras e seus túneis são mais inteligentes que nós humanos, pois elas sabem aonde devem ou não cavar e a como sustentar os túneis cavados.

A ESTRADA DO COLONO, O POLÍTICO E O MacLANCHE: Há algo em comum?



E daí perguntamos do que vale tudo o que se sabe sobre Ecologia de Estradas...bando de sem noção...pior é a frase "o meio ambiente somos todos nós". Contudo, analisando como pensam políticos desse naipe, é fácil concluir que não importa o que diz a ciência, mesmo que ela traga uma certeza sobre os fatos. Há um processo em suas mentes que fecha a análise racional da importância dos fatos e foca no que os move em função do interesse. É lógico que o motivo principal é eleitoreiro, mas também há o interesse inegável da população pela estrada que se sobrepõe ao impacto ambiental, o qual não é sentido diretamente. O interesse para o seu bem-estar (da população) com a estrada funciona no mesmo nível do interesse do político com os votos que ganhará ao brigar pela estrada. É praticamente a mesma coisa quando se come um MacLanche: sabe-se que não é saudável, mas o interesse movido pela vontade é maior e sobrepõe o que se sabe sobre a qualidade e o efeito na saúde. Em níveis, o processo mental é o mesmo e o que muda é apenas a consciência coletiva. Talvez...

Notícia:

Aprovado relatório do projeto que reabre a estrada do colono

sábado, 30 de março de 2013

Política brasileira: estamos no fundo do poço?

Não lembro, desde os anos 2000 quando comecei a acompanhar mais de perto a política nacional e mundial, um momento tão deplorável dos rumos nacionais. Não lembro de ter visto um presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara tão desqualificado pelos seus preceitos morais e éticos quanto o Deputado Feliciano. O mesmo vale para o Senador Maggi como presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado. Como pode pessoas tão definidas pelos seus interesses e pontos de vista assumirem tais cargos? Hoje li a notícia de que o Dep. Edson Santos defende a usurpação das terras do Horto Florestal do Jardim Botânico do RJ. E tem mais, pior de tudo...tem.

Não há muito o que se falar mais do que tem se falado em blogs, facebook, jornais etc. A indignação da sociedade com essa falta de democracia nas eleições desses representantes para os tais cargos, bem como os lados defendidos por esses e demais deputados e senadores só demonstram o total descaso com o que deseja a sociedade brasileira. Os interesses políticos e econômicos dos "amigos" desses políticos (e do PT também) estão ditando os rumos do Brasil. Temos os absurdos das hidrelétricas na Amazônia, o descaso com as populações indígenas que estão sendo arrebatadas de suas terras para o "desenvolvimento do país".

A história do Brasil irá mostrar que a primeira mulher no poder, que poderia mostrar o lado feminino de governar (com justiça e igualdade), realizou um dos piores governos do país, cometendo e sendo passiva (e co-responsável) pelos maiores absurdos ocorridos. Dilma terá que conviver com isso. Contudo, pelos rumos ditantes, acho que ainda não chegamos no fundo do poço. Talvez nem alcançamos a lâmica d'água. Temo pelo que pode ainda acontecer se a sociedade ficar passiva da forma que está.

Quero começar nessa postagem uma listagem de absurdos políticos no país. Colabore enviando links com as notícias para meu email: vagner.camilotti@gmail.com

Notícias do declínio político
Em Brasília - Aonde as piores coisas ocorrem:
- Senador Maggi presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado

Nos Estados - Aonde as piores coisas continuam a ocorrer
- Deputado Edson Santos defende usurpação das terras do Horto Florestal

- Expulsão de índios de suas terras

- Construção de Belo Monte

- Outras hidrelétricas
   -Na Amazônia
   -No Pantanal
   -Quem está ganhando com isso?

Gastos com a Copa do Mundo e Olimpíadas
-Contraste com a situação da saúde e outras necessidades nacionais
-Relado em vídeo do contraste nos investimentos para a o Estádio Itaquerão e a ciclovia que há décadas não sai do papel - o que seria mais importante para o social?

-Oque mais??