terça-feira, 5 de março de 2013

Do fingir de não saber



Gostaria que a lua soubesse falar. Como é chato ficar olhando para ela, achar ela bonita em todas suas formas e ela lá, quieta, andando de um lado pro outro. Monólogos na noite! Ela poderia dizer o porquê que brilha, que fica cheia e vai se apagando até sumir, depois voltando a desfilar reluzente no céu. Por que ela sorri com aquele sorriso de Buddha? Por que...
Eu sei os porquês. Não é chato ficar olhando pra ela e ela também conversa. Fala muito, inclusive. O que acontece é que às vezes não quero saber os porquês para ficar apreciando ela por mais tempo. Saber dos porquês tira a graça. Para apreciar não é necessário conhecer nomes, cores e cheiros.
Apreciar é apenas sentir.

Uma música para acompanhar (Mas al norte del recuerdo - Malpais).

=)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O perigo de ideias impensadas: o caso de Ayn Rand e os rumos da economia


Uma ideia, seja ela boa ou ruim, pode mudar o mundo se alguém se beneficiar economicamente dela. Mas nesse caso, o que é bom ou ruim? Qual a definição de bom ou ruim? No caso em particular que irei apresentar, o ruim se tornou bom para um pequeno grupo de ricaços americanos e que acabou ditando muito das regras do capitalismo. Contudo, dentro de minha visão holística e altruísta de bom e ruim, bom é quando todos se beneficiam e os efeitos colaterais são mínimos ou inexistentes. Ruim é simplesmente o contrário disso.

O caso me surgiu hoje ao assistir um documentário constituído de vários episódios que é apresentado na TV Futura intitulado “Por que pobreza” (Why poverty). Nesse, em particular (veja aqui), o tema central foram os executivos ricos que vivem na Park Avenue em New York e políticos (também ricos) que defendem o liberalismo econômico e o corte de impostos para os ricos e diminuição nos programas sociais para os pobres (como se os EUA tivessem muitos). O que impressionou de fato foi que, para os políticos determinados a diminuir ainda mais os impostos dos ricos, as ideias vem de uma escritora e também dita “filósofa” chamada Ayn Rand que, dentre suas obras, escreveu Atlas Shrugged (no Brasil, A Revolta de Atlas). Nesse livro a escritora deixa clara a ideia implícita e explícita que pode ser entendida nessa frase de sua autoria: “Não se sacrifique por ninguém e muito menos espere que alguém se sacrifique por você.” Nela é evidente o ideal centrado no indivíduo e na competição entre os humanos. No livro, Rand tenta mostrar como que a taxação dos mais ricos culminaria com o desmoronamento da sociedade americana. Assim, esses resolvem criar uma nova sociedade nas montanhas baseadas nos ideiais do liberalismo e do capitalismo e com a ausência de intervenção do governo. A partir dessa história crazy, seus defensores (ricaços e políticos republicanos) tem argüido que os impostos para os ricos devem diminuir (ou serem banidos, coisa que o Bush deu um baita passo) e os programas assistências para os pobres diminuírem consideravelmente. A ideia é implantar um processo de “seleção natural”: ou tu competes para te tornares rico (a) ou tu ficarás na pobreza por tua conta. Que sociedade ela pensou estar criando, afinal? Do meu ponto de vista é o capitalismo que tem levado a decadência e desmoronamento da sociedade mundial. Não consigo ver o contrário.

Assistindo uma entrevista dela (veja aqui) fiquei estupefado com suas afirmações. Sua visão egocêntrica baseada no capitalismo e competição desenfreada entre as pessoas contrastou com as visões pacíficas do Dalai Lama que no mesmo dia postei no facebook. Não resolvi escrever para criticar o ponto de vista dessas pessoas, até porque pouco adiantaria. Tem gente melhor do que eu fazendo isso, o que pode ser visto no documentário Park Avenue da série Why Poverty. O que me levou a escrever sim foi a constatação do poder de uma ideia, seja ela boa ou ruim (de acordo com minha definição de bom ou ruim no início). Fiquei tentando imaginar o que se passou na cabeça da Rand ao bolar tais ideias. Não sei, de vez em quando tenho algumas ideias que parecem ser perfeitas para solucionar um problema e logo corro para escrever. Teve vezes em que me precipitei em publicá-las aqui no blog ou no facebook e depois vi o quão equivocado eu estava. Menos mal que elas não tiveram repercussões maiores e eu percebi a tempo de não passar por mais idiota ainda se tentasse defendê-las. Será que isso aconteceu com a Rand? Será que ela teve essa ideia maluca e foi em frente sem questionar o impacto disso para a sociedade e para o mundo? Ora, a ideia é pesada e deu fortes argumentos para os Republicanos (nisso, o Bush) cortarem impostos dos ricos e benefícios dos pobres. Eles adoraram a ideia porque os beneficiaria, lembrando que a massa republicana americana é formada pelos multimi/bilionários. Não sei. Penso que ela teve a ideia, soltou a coisa e depois teve que defender, já que ganhou tantos adeptos e fama. Será que pesou alguma culpa nela ou ela acreditava piamente naquilo? Como é possível acreditar em algo assim? O que tem de diferente entre a mente de pessoas que pensam no individualismo e naquelas que pensam o coletivo? Apenas interesses particulares? Aonde que entra a razão nisso tudo? Há uma razão, afinal?

Quero estudar mais seu papel na economia mundial e sua vida. Seu “macabronismo” me fascinou. Entender pessoas assim é interessante, porque são as ideias delas que se deve enfrentar quando se quer tornar um mundo mais justo e igualitário. Escreverei mais sobre isso e inclusive complementarei esse texto. Senti que faltou apresentar mais suas ideias e discuti-las. Assim o farei quando o doutorado me permitir.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Relacionamentos e expectativas: um conselho que pode servir para qualquer um


Uma pessoa querida me pede um conselho para a o seu relacionamento, se deve ou não investir nele. Eis o que respondi e que pode servir para qualquer um que esteja em situação similar ou, melhor, que esteja se relacionando.
“Entendo-te e muito. Sabes, haveria uma resposta simples para isso: deixe acontecer! O problema dessa resposta simples é que nesse deixar acontecer, nós vamos criar expectativas as quais, na grande maioria dos casos não serão alcançadas. Vejas bem...se tu gostas dele, poderias deixar a coisa rolar, acontecer e tal sem se apegar a situação, ver até aonde iria e se chegar num ponto final, beleza, não importa! Isso se chama viver apenas o presente, mas nas relações, principalmente, é aonde mais colocamos expectativas e expectativas são os piores venenos pra alma, seja aonde for. Não deveriam existir expectativas em nada, nem essa palavra deveria existir. Mas como estamos numa vida de testes, elas existem, bem como outras coisas, o medo p.ex. Queremos que dê certo aquilo, não queremos ser traídos, queremos isso, esperamos aquilo. Ora, tudo pode acontecer da noite pro dia ou no segundo seguinte. Veja o caso das mais de 230 mortes numa boate lá em Santa Maria, de onde vim. Do que adiantou para eles terem medos de fazer coisas na vida? (vejas um texto que escrevi no meu blog sobre isso - http://vida-ciencia-filosofia.blogspot.com.br/2013/01/santa-maria-continua-me-ensinar.html)
Meu conselho de verdade seria o mesmo que o do Lama...viva!!!!! Mas viva sem medo e sem expectativas. Tudo pode dar certo como pode dar errado. Tudo no fim se resume a experiências vividas, tendo dado elas certo ou errado...tudo acaba sendo a mesma coisa. Mas se decidires viver a relação com medos e expectativas, já te adianto que tu irás sofrer, talvez muito, pois terá dias que ele poderá sumir, não te dar a atenção que tu esperas, encontrar uma outra pessoa por lá ou até mesmo se acertar com aquela que provavelmente deu um fora nele. Não vamos ser hipócritas e ignorar isso, pois de fato essas coisas acontecem!! O aprendizado em se relacionar, e isso serve pra mim tb, é fazer o que os mestres vêm a séculos falando: viva o presente, simplesmente isso!
Think about it!!!!!

=)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Santa Maria continua a me ensinar


Fiz minha faculdade de Medicina Veterinária de 2001 a 2007 em Santa Maria. Foram seis anos vivendo, errando e aprendendo lá. Seis anos se passaram desde que deixei a cidade e nesse tempo sempre algo veio de lá para mim. Assim continua.
Nesses dias pós-evento na Boate Kiss, que resultou no desencarne de mais de 230 jovens, estou tentando olhar para o que aconteceu por um olhar diferente. Não quero ficar pensando em quem são os culpados, os problemas das casas noturnas que todo mundo sabe existir, até quem frequenta  e que só vem à tona quando acontece um evento assim (hipocrisias à parte de todos), o que poderia ter sido feito para evitar (isso cabe às autoridades), além das barbaridades de ideias como cancelar o carnaval. Ora, não gosto de carnaval, mas o que aconteceu não é razão para cancelá-lo. Há um modus operandi na forma de pensar que me incomoda.
Quero olhar para o que aconteceu como um ensinamento dado pelos que deixaram de estar presentes entre nós. Analisando por meio do meu viés Budista e Espírita a coisa toda, fiquei pensando qual a lição que poderia tirar desse trágico evento. Fico pensando em quantos daqueles jovens desencarnaram sem nunca expressarem seus sentimentos para as pessoas que amam, quantos estavam lá brigados com pessoas próximas e que morreram sem poder se desculpar, entender ou mesmo perdoar. Quantos estavam lá pensando em apenas se dar bem na noite, sem se questionar sobre valores éticos e morais. Para alguns ou muitos, provavelmente sair, beber e “pegar” era o único prazer que possuíam e o resto eram obrigações ou necessidades. Quantos estavam deixando para amanhã fazer algo que queriam muito fazer ou quantos que nunca pararam para pensar no que gostariam de fazer de fato, mesmo estando na universidade. Quantos estavam naquela noite sofrendo com medos e expectativas sobre a vida, relacionamentos etc.? Não os estou criticando, que isso fique bem claro, até porque eu mesmo já me comportei e me comporto da mesma forma em muitos aspectos.
Ajudar as pessoas a terem um bem-estar melhor é meu maior objetivo e até isso tenho adiado de alguma forma. Meu doutorado tem me consumido pela minha falta de objetividade em muitas coisas. Fico perdendo tempo com coisas à toa (p.ex., facebook, em partes, é uma delas). Por mais que goste de conversas construtivas, tenho desperdiçado tempo com algumas fúteis. Quero ler os livros que comprei, mas só os vejo se amontoarem na minha modesta biblioteca. Quero iniciar vários projetos de ação coletiva e social, mas, por causa de alguns hábitos os tenho deixado engavetados. Quero corrigir muitas faltas minhas com as pessoas, mas me vejo empacado em algumas. Quero evoluir como ser humano e espiritual, mas vivo deixando para amanhã. Quero esquecer o futuro e suas preocupações, mas acordo pensando "será que vai dar certo" ou "será que vou conseguir". Quero ser melhor nessa vida e a aproveitar da forma mais produtiva possível, mas posso perder o tempo que tenho ficando deitado numa cama a manhã toda e morrer logo mais.
Que a partida de todos eles se justifique para mim me ensinando alguma coisa. Que me ensine, principalmente, que meu tempo aqui é limitado e essa impermanência me faça ver o valor real das coisas, da minha curta vida e que me faça ser menos hipócrita do que sou hoje e perceber a beleza do agora, do presente, sem medos e expectativas, e o presente em si que isso é.
_/\_



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Um parágrafo de uma história


Ficar não era mais a solução. Sem saber aonde e quando ele iria encontrar a resposta, nem o que procurar, o caminho se resumia àquilo: o Norte. Apenas uma bússola e uma lanterna em suas mãos, velhas, herdadas de tempos em que ele nem mesmo tinha noção, mas que simplesmente chegaram a suas mãos no momento em que ele precisou. “Talvez as coisas sejam assim”, pensou ele, “aparecem quando precisamos”. Isso lhe deu um conforto que se ascendeu como uma chama aquecendo seu corpo. Não precisaria de mais nada para iniciar a jornada. Apenas seguir o caminho indicado pela bússola da sua intuição e iluminado pela luz de sua consciência nas horas mais lúgubres do dia, bastaria para ele chegar àquele lugar desconhecido.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Conceitos, valores e a hidrelétrica de Pai Querê: o que de fato é um "fim" útil para o homem?



Teve uma época em que eu achava que conceitos eram perda de tempo. Se duas ou mais pessoas soubessem do que estavam falando, ora, pra que perder tempo dando nome e defindo limites? E as demais, alheias à situação? Não sabia do perigo da coisa e diferentes situações na vida me ensinaram o valor de se definir o que e o alcance do que estamos falando. Um bom exemplo encontrei nesta reportagem na ZH sobre a construção da hidrelétrica de Pai Querê. Nela aparece a seguinte frase: "O argumento da empreiteira é que o relevo do local que será inundado não é aproveitável para outros fins." Ora, o que é o "fim" a que a empreiteira se refere? Uso para terras agrícolas? Construções de casas? Não sei, mas para todos os fins que me vem em mente a partir dessa ideia, todos estão relacionados com o uso direto pelas atividades humanas. E a conservação da biodiversidade e provisão de serviços ambientais (diretos e indiretos), por exemplo? Não seria um uso justificável para a manutenção daquela área natural? Para mim esse fim é totalmente válido e justificável para a não-viabilização da hidrelétrica. Agora, porque não se pode dar um "fim" antropocentrista a um determinado lugar ele pode ser destruído? Valores, humanidade do século 21...valores. =)

domingo, 7 de outubro de 2012

Montanhas, almoços e a vida.

E o viver tem tantas faces. Às vezes, talvez sempre, todo dia, pergunto-me aonde está a sabedoria do viver. Não é aquele viver apenas por viver. Não é isso. É algo maior, algo perto do silêncio, sem ruídos (e por isso que se entenda muitas coisas). É algo em que se perceba os milésimos de um segundo, mas os minutos de uma hora já estaria de bom tamanho. Aonde que se percebesse o momento em todos seus detalhes, isentos dos tais ruídos. Hoje, cozinhando meu almoço, fiquei meditando em todos os movimentos, cada cubinho de cebola, tomate e alho cortado eu estava lá, vendo eles, delineando-os. Senti-me um Forrest Gump, com a mente só naquilo que era para ser feito naquele momento, sem questionar, sem desejar outra coisa, nada. Apenas aquele momento. Não sei, mas todos os ensinamentos de meditação que venho tendo e praticando há quase 3 anos começaram a fazer sentido. Não que antes não fizessem, mas a cada dia eles têm ficado mais claros, mais compreensíveis. Preparar um almoço é uma ótima forma para meditar. Todos nossos sentidos podem ser ativados e ao mesmo tempo poderemos perceber a vacuidade deles. Isso é fantástico se compreendermos bem. Creio que estou compreendendo (...). E o viver tem tantas faces. Assim como uma montanha, chegar ao seu cume pode ser feito por qualquer lado. Cada qual terá suas dificuldades e por alguns se poderá não chegar ao cume devido a uma avalanche qualquer. Muitos já morreram tentando chegar ao cume de alguma montanha por aí por causa de avalanches. A vida é assim também. O segredo é escolher o melhor lado e nada melhor do que olhar para os grandes mestres do "alpinismo" de montanhas. Eles saberão indicar o melhor lado, mas a decisão final sempre será nossa...sempre.

E para inspirar a subida músicas sempre vão bem: Ask the Mountains - Vangelis

=)