segunda-feira, 26 de outubro de 2015

As correntes invisíveis da escravatura contemporânea


“A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.” 
---Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo.

Depois de ler certos pensadores é difícil não se questionar sobre a forma como que a sociedade se estrutura e funciona, sobre a forma como se dá a busca pela profissão, pelo emprego, onde se eu ganho o outro perde a vaga. Há uma competição (in)visível, onde o tolo intelectual dirá que a natureza se estrutura da mesma forma, através da competição. Esses deveriam rever os novos postulados sobre a teoria darwiniana e ver que é muito mais através da cooperação que tais comunidades existem. Isso naturalmente levaria a um questionamento sobre o funcionamento de uma sociedade que se move apenas com o combustível do dinheiro, mas que poderia se mover sem ele - ver Utopia, de T. Morus. E isso é tido como normal, o funcionamento é aceito e questionado apenas por menos do que a minoria. O indivíduo ordinário mantém o sistema, dá corda nele. Corre para ocupar a vaga daquele que se demitiu por questões éticas e morais e com o dinheiro compra a roupa da Zara. Acha que por que vota, há democracia, quando o próprio sistema eleitoral não o é (se um candidato tem mais tempo de TV do que o outro, já aqui não há um sistema justo). Huxley está certo: somos escravos amando a escravidão, vivendo de angústias sem saber exatamente de onde vêm, embora esteja na nossa cara a causa.

domingo, 13 de setembro de 2015

Nós criamos nosso próprio inferno político


Tentativas de postar algo no Facebook com relação a leituras e comentários de amigos que descrevem o caos, culpam políticos etc. pela atual crise no RS e no Brasil. Quis escrever sobre quem de fato são os culpados, o que sempre me leva aos eleitores, o povo em si. Várias tentativas que me decepcionaram ao perceber que o culpado nem se dá conta de que é o culpado. Escrevi, deletei, reescrevi, decidi não publicar nada e vim aqui escrever no meu diário. Então percebi que talvez valeria a pena postar, mas o farei aqui no blog.

Ora, sabe-se que político não é um ser confiável e então, na hora de colocar alguém para gerir um governo ou representar no parlamento, deve-se ter total cuidado e atenção. Mas quem faz isso? Raros, mesmo dentre alta classe educada, raros. Raros esses que no fim não elegem os candidatos que de fato mereceriam estar lá. Os que elegem, depois se esquecem de monitorar esse governante ou representante parlamentar, de ver o que ele tem feito, como ele tem votado (sim, porque ele está votando pela pessoa que o elegeu, ele a está representando, ora). Esquecem de cobrar, de mandar um e-mail ou até uma carta, independente de se serão lidos ou não – poderão ser e se todos ou boa parte dos eleitores fizessem isso, o tal político iria saber que está sendo monitorado e que não terá tais votos na próxima eleição. Ele poderá roubar agora, mas será a sua última vez.

Mas quem faz isso? Quando Manoela D’Ávila votou a favor na primeira votação das mudanças do código florestal, mandei um e-mail para ela. O e-mail foi respondido, não por ela, mas isso sempre chega a ela, claro. Imagine se mais de um e-mail tivesse sido enviado? “- Putz, estou sendo monitorado pelos meus eleitores...fudeu!”.

Se há de fato um culpado nisso tudo, esse é o povo. Sou eu, tu, ele, nós, vós, eles...todos os sujeitos que votam e os que com ideais não se candidatam (que como eu, pensam que não se elegeriam e ,mesmo assim, a cada dia fico mais motivado a entrar para a política para tentar ser uma opção, tentar lutar por ideais – mas poderei não receber votos necessários porque não terei dinheiro para me promover, ou porque, como acontece, vota-se em determinado candidato por razões quaisquer que não o bem maior do povo).

Os políticos são só agentes do povo. Mas o povo esqueceu em quem votou, não sabe como agir, não foi educado para isso e assim o ciclo se fecha e recomeça a mesma coisa. O povo é inocente e culpado ao mesmo tempo. Não é por nada que poucos são os novos políticos que entram todo ano e os que já estão, em sua maioria, lá permanecem. Como que um Eduardo Cunha é reeleito? Um Renan Calheiros? Ora...no fundo, deveríamos ser roubados, ter os salários atrasados, morrer numa maca no hospital e tudo de mais ruim que possa acontecer, embora os coerentes sofrem junto com os incoerentes. Essa é a tal democracia, não?. Somos nós que botamos eles lá para causarem isso para nós, não? E lógico, eles vão fazer. Por que não fariam? Por quê?

Nós criamos nossos próprios infernos, sejam eles mentais, sejam eles políticos. Em qualquer nível de governo, eles não são postos lá por deuses ou são algo desconectado de nós, como parece evidente quando os chamamos por "os políticos de Brasília, aqueles fdp". Eles não foram postos lá por alienígenas. Mas parece!

 E aí? O que fazer? Reclamar, xingar e qualquer outra atitude de expressão que não tirar os caras de lá ou, melhor, não os colocar lá, não terá efeito nenhum. Desculpem-me, mas político corrupto não tem crise de consciência para mudar de lado e se tornar mocinho com críticas e belos textos. Ou tu achas que tem?

No fim, terão os que curtirão isso, terão os que não e no fim, tudo dá na mesma coisa. Fecha-se o Facebook ou se vai para o próximo post e...pronto. Esquece-se.

domingo, 24 de maio de 2015

A carne tem vida: um olhar no íntimo humano

Depois de optar pelo vegetarianismo há quase cinco anos, é estranha a percepção de ver alguém (um veterinário, um zootecnista, um produtor rural) se referindo a um bezerro que corre alegremente pelo campo como "a carne produzida tem sabor mais palatável". A expressão revela um olhar que não vê vida, mas carne. Um olhar desconectado do íntimo de um outro ser. Não vê um olhar de um ser que respira, que gosta de carinho, que se torna tão amigo quanto um cachorro quando criado próximo. Um olhar de medo quando está no corredor pro abatedouro. Um ser que sente. Mata-se e se come depois aquela carne da mesma forma que um animal carnívoro come a presa abatida. No fim, o homem revela sua natureza e nisso então ele se mostra tão animal quanto.

Vejas aqui um vídeo de vacas sendo liberadas para o pasto depois de meses confinadas devido inverno severo do hemisfério norte, ou essas cabras brincando de escorrega. Percebem a humanidade nos animais em ambos os vídeos?

Um abraço.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A Terra é um terrário e podemos estar sendo observados


Assistindo uma palestra hoje sobre a situação amazônica, ao ver uma imagem de satélite da região e todo o impacto já causado pelas atividades humanas, veio-me à mente uma visão que já me ocorre há tempos. De uma forma sintética, a Terra é um terrário onde nos colocaram para observarem como nos comportamos diante de todas suas riquezas e em sociedade.

Antes, isso há dois ou três anos atrás, angustiava-me a ideia da destruição do planeta pelas nossas atividades, principalmente em busca de conforto, consumo e enriquecimento. Parecia injusto a perda de tamanha biodiversidade para somente isso. Mas, ao ver aquela imagem e em seguida imaginar o planeta e logo em seguida todo o cosmo, ficou ainda mais claro que o que importa de fato não é salvarmos a Terra, mas nos salvarmos. Segundo muitas filosofias espirituais, o mundo material é apenas um mundo onde encarnamos para nosso aprendizado, para aprendermos a conviver com todas as formas de vida e assim nos desenvolvermos ética e moralmente. É nesse desenvolvimento que evoluímos para espíritos maiores e nos aproximamos de Deus.


De uma forma ou de outra, talvez a Terra desapareça com o tempo, como afirmam os astrônomos, o que reitera essa visão. As  formas de vida no planeta, além de estarem também em sua jornada evolutiva, servem muito mais para nos testarem diante delas, em como as valorizamos, em como aplicamos o nosso livre arbítrio e, consequentemente, como lidamos com nossas buscas egóicas pela riqueza, poder, conforto etc., coisas que acabam junto com a nossa morte material. Iremos morrer, mas nossas ações depois de feitas permanecerão como ecos no universo e serão avaliadas quando daqui partirmos. Essa visão fortalece o valor que todas as formas de vida possuem inerentemente e nos ajudaria a termos uma convivência harmoniosa, entrelaçando o desenvolvimento social com o meio ambiente de uma forma sustentável como já parece ocorrer em pequenas comunidades ao redor do mundo.

Essa ideia não é nova, mas sim uma interpretação das visões de muitas religiões e filosofias que estudo e que baseiam minhas buscas por aqui. Hoje não luto mais para salvar a natureza, mas sim para mostrar ao homem que sua vida depende da sua relação com a natureza, tanto a vida aqui na Terra, quanto a sua vida depois da sua morte. Será a partir da forma como conviver com a natureza e com a sociedade que implicará na sua qualidade de vida espiritual. Todos morremos, é bom lembrar disso!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A vida do político quando ele morre

Gostaria de perguntar para um político se ele tem consciência de que vai morrer um dia. Isso em virtude das pessoas viverem sem essa consciência, apesar de saberem que irão. Parece que elas querem não acreditar nisso ou então ignorar o fato. Perguntaria então se ele acredita em Deus. Se ele disser que sim, perguntaria em seguida se então de fato ele acredita na vida após a morte. Se ele dissesse que sim, perguntaria então como que ele acha que a conduta dele aqui na Terra influencia a vida quando ele acordar do outro lado. A partir da resposta, perguntaria - mas sem esperar uma resposta, apenas para ele ficar pensando - como que será a vida dele a partir da conduta que ele tem levado.

Essa mesma pergunta vale para qualquer um de nós. Qualquer um, mas principalmente para aqueles que se estão em empregos onde a sua conduta ética e moral é posta a prova todos os dias (banqueiros, empresários, funcionários públicos etc.).

Passou-se o tempo em que eu ficava irritado ao ver tantos exemplos de descaso dos políticos para com o povo. Tendo minhas convicções sobre a existência humana, fico triste e com um tipo de pena (tentando transformar em compaixão) da alma dessas pessoas quando o último expelir de ar lhes couber e então descobrirem que o tempo que sofrerão será maior do que os benefícios e os prazeres que tiveram em vida física a partir do dinheiro que roubaram ou do descaso que tiveram a partir das suas responsabilidades. Alcançar o lugar que eles estão gera uma responsabilidade enorme para o espírito, que pensando unicamente em si, terá que arcar com as consequências.

Percebo que há um desligamento entre a religião que as pessoas dizem ter e o reflexo em suas condutas (na verdade, há outras tantas desconexões entre o que se pensa e se fala e o que se faz na prática). Igrejas de todas as filosofias lotadas, mas o mundo no caos que é. Muitas religiões conseguiram criar esse desconectamento entre seus fiéis e a palavra que veiculam e eis a consequência. O homem se esquece do que é e se engana com o que pensa que é, vivendo então unicamente para as questões materiais e de poder. Nós mesmos no nosso dia-a-dia somos exemplo disso. Os políticos, ao meu ver, são o caso mais grave, porque eles possuem o cargo mais importante dentro de uma sociedade (guiar ela) e utilizam esse poder para si próprios. A consequência disso para suas vidas espirituais será terrível.

A vida física passa num piscar de olhos, basta que observemos como o tempo tem passado rápido nas nossas vidas. Hoje já estou na casa dos 30 anos e me via com 15 até semana passada! No entanto, segundo algumas doutrinas, o espírito viverá nas condições em que suas ações enquanto encarnado aqui geraram, se a partir de ações boas para com os outros ou ruins. Tudo depende do que fazemos para os outros, independente da visão religiosa, pois todas prezam as ações na vida material como base para a espiritual. Se houver reencarnação, por exemplo, muitos irão renascer naquelas condições inóspitas que criaram em sua vida anterior.  O desvio de verbas da saúde e da educação, por exemplo, criam situações que impedem o desenvolvimento local e tem consequências para o bem-estar das pessoas. Será no meio dessas realidades criadas que renascerão. Essa é a justiça Divina de que se fala no Espiritismo, por exemplo. No Budismo há a questão do carma que destina a reencarnação (algo similar ao Espiritismo) e no Catolicismo, sem reencarnação, há o céu e o inferno, apenas citando as que doutrinas que tenho um conhecimento.

Temos o livre arbítrio para fazermos o que queremos e nada nos impedirá disso. Podemos passar todo o tempo de nossas vidas cometendo atos ilícitos e nada acontecer. A justiça Divina não necessariamente acontece agora e essa é a graça da coisa, pois se acontecesse não cometeríamos tais atos simplesmente por medo de punição imediata, como a criança que sabe que irá apanhar quando faz certas pirralhices. Cães aprendem rapidinho isso!

A questão é: tu acreditas em Deus? Se a resposta for sim, meu caro, passe a analisar teus atos diários, porque não será unicamente pedindo perdão depois da morte que tua condição espiritual será corrigida. Nem um pouco. Ela exigirá aprendizado e aprendizado se aprende na prática, vivendo as situações. Que pensemos sobre.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A gestação e a iluminação

Quando paro para pensar em todo esse processo de geração da vida, a gestação em si, vejo-o como algo libertador para os seres humanos se eles o entendessem de fato e, nesse entender, percebessem a semelhança do processo em todas as outras formas de vida, inclusive uma planta. Creio que, ao perceberem essa tal semelhança, perceberiam o Uno entre todos os seres e os verdadeiros valores da vida emergiriam do lodo que a sociedade vive hoje, como uma flor de lótus. Seria então o processo de iluminação coletiva...mas, as coisas mais simples e triviais passam despercebidas de seus valores intrínsecos. Uma pena...

sábado, 30 de novembro de 2013

Sobre o ser e o viver

(...)    
      A vida se resumia a mostrar para as pessoas as suas qualidades. Muitas concretas, outras falsas talvez, ou então mascaradas, pintadas para parecerem reais. No entanto, no fundo ele próprio sabia que tudo o que demonstrava era para não perder aquela posição conquistada com tanto esforço, estudo e dedicação. Ou então para conquistar em um novo meio. Por um tempo isso não o incomodou. Contudo, tudo o que mais temos de especial encontra um fim. A impermanência das coisas não perdoa nada, não nos perdoa. Por que deveria? Somos seres patéticos vivendo uma vida de fantasia, distante da realidade, realidade que só pode ser observada quando paramos de observar e passamos a senti-la.
      O colégio foi sempre uma mamata, tudo era simples. Relacionamentos com garotas começaram tardiamente, o que se tornou em seguida uma de suas habilidades (e o fim disso também não tardaria a chegar). As dificuldades para manter o status começaram a aparecer na faculdade, mas foram superadas ou então ignoradas. Não dá para ignorar nada. As coisas ignoradas não são pedras que ficam no caminho quando desviadas. Elas se movem para a próxima curva, pegam atalhos para chegar na nossa frente antes do próximo destino. 
      O primeiro exame, a primeira reprovação em uma disciplina. Parecia o fim daquilo que o identificava, daquilo que as pessoas viam dele. Como contar isso para os pais, os tios, os amigos de infância? Os próprios colegas passariam a vê-lo com um comum. Ele não seria mais um dos melhores da turma, afinal tinha pego exame e reprovado. Aliás, foram mais de um exame, os quais vieram a se repetir a cada novo semestre.
      Algo mudou. Ele não era mais aquele que sempre foi. O que estava acontecendo ainda não era claro, mas para os outros ele não era mais aquele ser inteligente. Isso lhe doía, o fazia sentir vergonha de si, baixar a cabeça e não mais se sentir no direito de opinar sobre algo. Ora, como poderia? Ele havia morrido, mas seu corpo ainda estava lá com todas as suas funções normais. Respirava, comia, dormia, caminhava...mas se sentia morto. Algo tinha morrido, mas o que, afinal? Se não ele, o que?

(....)