sábado, 22 de setembro de 2012

Espiritualidade e alimento: a questão do ovo!


A questão de bem-estar deve transcender a visão do bem-estar humano. Espiritualmente falando, nosso bem-estar depende do bem-estar dos outros seres vivos e, principalmente, de onde nosso alimento vem. Sabemos dos problemas físicos e químicos causados pelos agrotóxicos nos vegetais e inclusive medicamentos nos animais. No entanto, tem coisas que não percebemos e em geral a população não se importa, que é o bem-estar dos animais de onde provém boa parte do que nos alimentamos no dia-a-dia. A questão do ovo é interessante. Para os vegetarianos, o ovo é um alimento importante e ao comer se tem a impressão de que não se está fazendo mal a galinha que o pôs. Infelizmente não é assim. A maior parte dos ovos comercializados hoje vem de granjas de produção intensiva, ou seja, granjas que mantém as aves em sistema de confinamento e presas em gaiolas. Como técnico agrícola e veterinário sei bem do que estou falando. Contudo, há produtores preocupados com o bem-estar desses animais e neste vídeo isso se verifica muito bem. Está em inglês, mas dá para sacar a ideia da coisa. O grande problema é a questão de oferta. Em grandes cidades é praticamente impossível se encontrar ovos produzidos em sistemas "free-range" e somos forçados a consumir ovos oriundos de produções convencionais. Para quem tem uma visão espiritual da vida, esses ovos, bem como outros alimentos assim produzidos, trazem consigo o sofrimento desses animais. Dentro das minhas utopias, um dia ainda espero que seremos mais conscientes com essa questão também, pois temos o poder de exigir alimentos saudáveis em todos os aspectos. Mas, enquanto estivermos preocupados com outros aspectos da vida, tudo continuará da forma que está. Tudo é uma questão de consciência. Consciência...


=)

sábado, 7 de abril de 2012

O ego pode ser o fim para a ciência?



O título possui duas interpretações, eu sei, e não é por acaso. Tenho me questionado muito ao longo dos anos sobre o que percebo no mundo da ciência. Nesse mundo, uma coisa muito perceptível é o ego de um pesquisador. Ele quer ser reconhecido pelos seus pares, os colegas de profissão e de área. Tudo bem, não vejo grande problema até aí. O problema de fato surge quando esse ego toma conta do fim do trabalho desse pesquisador. Ele simplesmente se esquece do que ele está buscando primeiramente, que é o avanço da ciência, e fica mais preocupado com o seu status no meio acadêmico.
A ciência perde o romantismo para o ego. O ego tem necessidades, a ciência não, apenas paixão e curiosidade. A necessidade do ego faz muitas vezes o cientista se tornar escravo dele mesmo. Como comentei no post sobre o cientista cético, perde-se a magia do que se observa e a torna um simples objeto para ser analisado, como pode ser observado na passagem de Pirsig (2009):

"Atualmente, estamos soterrados debaixo de uma expansão cega e irracional do acúmulo de dados nas ciências, pois a compreensão da criatividade científica não tem um formato racional. Além disso, estamos soterrados debaixo de uma imensa estilização das artes - arte magra - devida à falta de assimilação e conhecimento da forma subjacente. Nossos artistas não têm conhecimento científico, nossos cientistas não têm conhecimento artístico e nem uns nem outros têm o menor sentido de gravidade espiritual; os resultados não são simplesmente desastrosos, são terríveis. Já há muito tempo que precisamos de uma verdadeira reunificação da arte e da tecnologia".

O cientista assume então uma identidade. “Eu sou um cientista”, diz ele. Essa identidade se tornou pragmática com o advento do método científico. A ciência tem regras que precisam ser seguidas. Ótimo, ela avançou muito desde então, mas parece que o cientista em si regrediu. Sua personalidade ficou presa ao que ele faz e sua “sabedoria” sobe à cabeça. Por achar que sabe mais, ele se sente no direito de classificar os outros ao seu redor. Ele É o que faz e não o que É DE VERDADE: humano como qualquer um. Se fosse possível tirar essa identidade desse ser, o que restaria dele? Provavelmente a sua verdadeira face, doente e deprimente, que cresceu e se desenvolveu sobre uma fantasia. O pior é que ele usa essa fantasia o tempo todo.
Agora me ocorreu uma coisa: será que os velhos cientistas, Galileu, Newton, Kepler entre tantos outros, até os filósofos da antiguidade, Sócrates, Platão, será que esses não tinham um ego semelhante ao dos cientistas atuais? Será que eles também queriam ser “notados” no seu meio? Se isso é um fato, então meu questionamento pode não ter muito sentido, pois mesmo assim grandes descobertas foram feitas. Seguindo nessa linha de pensamento, Beveridge (1981) diz que um cientista tem que ter ambição para se destacar no seu meio e se tornar um cientista de renome. Daqui posso tirar que ter ambição nada mais é do que nutrir um ego, correto? Dessa forma, o ego pode fazer bem pra ciência. Será mesmo?
O que posso notar nisso tudo é que o meio científico se tornou um local de desfiles de estrelas. Há lugar onde o ego predomina mais do que nesses locais? Veja o mundo dos artistas, p.ex. O cientista se tornou um “artista” dentro do seu meio e por onde passa se ouvem comentários sobre quem é ele e o que ele faz. Está errado isso? Sinceramente não sei. Temos a índole de nos identificar com certas personalidades. Eu tenho as minhas também e a grande maioria são velhotes da ciência que já passaram pra outra vida. Eu admiro a vida deles e não seus feitos propriamente, pois esses foram resultados de suas vidas. O que se vê hoje é um bando de pessoas que fazem ciência desfilando a partir de seus feitos e não a partir de suas pessoas. Desfilam pelo que sabem e não pelo que são. Aliás, se alguém se voltasse para sua pessoa duvido que fosse desfilar, pois a simplicidade dominaria o ego.
Contudo, o que eu vejo também tem coisas boas. Como é ótimo ver um cientista que faz um bom trabalho passar por ti e te cumprimentar do mesmo jeito que cumprimenta o faxineiro do corredor. São raros, sim, mas existem. Eles são humildes e humildade é uma palavra rara pelos corredores de um departamento.
Você pode estar pensando que eu tenho algum trauma com a ciência, pois só escrevo coisas ruins sobre. Eis aqui o teu erro de interpretação! Nao falo mal da ciência, mas sim de quem a faz. E tem outra: não é de todos. Conheço muitos cientistas que vivem pela paixão de fazer ciência. Melhor, eles não fazem ciência, mas é da paixão deles que surge a ciência que fazem. E aqui tem algo muito interessante: os grandes cientistas acabam sendo bem humildes, pelo menos os que já tive contato na minha área. No entanto, são aqueles em ascensão (ou que no mínimo desejam estar) que acabam agindo da maneira que considero negativa. Esses possuem um “peito de pombo” de tão orgulhosos de seus feitos, e passam arrulhando pelos corredores de um departamento. E é essa presunção que os leva ao fracasso, justamente por buscarem alimentar sua identidade e não seu ofício.
Eu mesmo já quis ser o melhor na minha área. Sim, hipocrisia minha estar falando tudo isso e já ter tido tal ambição. Aí que está...tido. No momento em que percebi o mal que isso estava me causando, tirando do meu foco o que realmente me fez ir pra Ecologia e tentando aprender e fazer coisas que os “melhores” faziam, só para ser um deles, vi que algo errado estava acontecendo. Não foi simples indentificar o que era de fato e isso foi acontecer somente há pouco tempo atrás em conversas com um amigo e nos estudos budistas. Agora inseri no texto um motivo que pode gerar preconceitos e razões para denegrir meu texto: religião! Mas bem, discutir sobre isso levaria um tempo que não quero despender nesse momento. Além do mais, sei que alguém vai se identificar com tudo isso, de uma forma ou outra! Esse é o objetivo.
Hoje vejo que fazer ciência (e isso tu podes extrapolar pra tua área, seja lá qual for) é nada mais do que fazer bem o que você gosta e quer fazer. Simples receita! No momento em que tu passas a querer ser o melhor, tu passarás a te comparar e querer competir. Ferrou tudo! Tu vais começar a esquecer de tua real motivação e no momento em que veres que ser o melhor não existe, pois isso é algo cíclico, verás que tudo perdeu o sentido. Sim, pois não tem mais razão o que tu vinhas fazendo, pois tua paixão se transformou em obsessão. Fazendo teu ofício da melhor forma possível, em algum momento tu acabarás sendo “o melhor”, sem esforço nenhum. E quando fores, verás que nao será nada demais, a não ser que tu gostes de ser paparicado e admirado como um rei. Bem, daí terás que tomar cuidado, pois o Ego está a solta!
Agora, voltando ao título para finalizar. O ego pode ser o fim para a ciência? Para uma das compreensões dessa pergunta, não creio que o ego vai acabar com a ciência, pois ela é inata nas pessoas, nasce com elas. Sempre haverá um Galileu em alguma geração. Ele vai acabar sim com o cientista e com sua felicidade, acima de tudo. Para a outra interpretação, entretanto, vejo que a ciência não deveria alimentar o ego e muito menos criar esse na personalidade de um cientista. A razão para isso é simples. Quem conhece todos os males que um ego pode causar tem já a resposta. No entanto, uma resposta mais simples e profunda é que o ego torna uma pessoa miserável e a coloca na única dependência de seus feitos. Conseguem entender o que quero dizer? Se a resposta for não, provavelmente você tem algum problema em encontrar a verdadeira felicidade e é esse cientista na tua própria vida. Estou errado? Tomara que sim. =)

"O VALOR DO HOMEM É DETERMINADO, EM PRIMEIRA LINHA, PELO GRAU E PELO SENTIDO EM QUE SE LIBERTOU DO SEU EGO". Albert Einstein 

Referências citadas no texto:
Beveridge, WIB 1981. Sementes da descoberta científica. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo. 134pp. 
Pirsig, RM 2009. Zen e a arte da manutenção de motocicletas: uma investigação sobre valores.      2ed., São Paulo: Ed. WMF Martins Fontes, 441pp.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Individualidade, influência dos pais e o desenvolvimento pessoal



Fico a questionar-me se eram as ameaças ou mesmo as chineladas que me fizeram a pessoa que sou hoje com relação às minhas responsabilidades no mundo ou simplesmente meu comportamento individual. Até que ponto do nosso desenvolvimento a atitude dos pais nos rege o comportamento? Quando nosso individualismo ganha a frente e dita nosso desenvolvimento? Uma criança que cresce sem tais "limites disciplinares dos pais" e, consequentemente se desenvolve pelo seu individualismo desde cedo, tem as mesmas habilidades para lidar com o mundo quando adolescente/adulta? Acredito que existe aquele período em que nossos pais nos colocam na linha e depois andamos por nossa própria conta (nosso individualismo), inclusive questionando aquela "linha" e mudando-a se desejarmos. Porém, há um limite para tal influência dos pais que, quando curta ou excedida demais (em todos os sentidos), causa transtornos que vemos no nosso dia-a-dia nos adolescentes. Claro, tudo isso é apenas uma teoria minha e talvez algum psicólogo já a tenha dito. No entanto, a falta de observações disso pela sociedade pode levar a problemas sérios no futuro. As novas leis criadas que impedem pais de aplicar os chamados "corretivos" como na tirinha, bem como a limitação da autoridade de um professor em sala de aula, basearam-se em apenas um lado do comportamento humano...e quanto aos demais? Analisar o comportamento humano dentro de uma ideia mecanicista não funciona mais: as coisas estão intimamente relacionadas e em níveis complexos.


sábado, 17 de dezembro de 2011

O saber do silêncio

       Com o tempo aprendi a me calar e só abrir a boca quando tivesse algo fundamentado para contribuir com uma discussão. Já falei muitas asneiras pensando demonstrar ser um cara informado e inteligente (talvez continue falando). Muitos sábios já disseram que é melhor permanecermos em silêncio para não parecermos tolos e esperar o momento certo para contra-argumentar. Não ter uma opinião formada naquele momento não quer dizer que não estamos refletindo sobre o assunto. No entanto, opinar (e concluir)  nos baseando no-que-o-outro-disse-ou-leu é uma ótima forma de perder a oportunidade de mostrarmos nosso valor como seres raciocinadores no momento oportuno (pior ainda é disseminar essa opinião). 
           Tendo aprendido com bons e raros professores a refletir, questionar e duvidar do que ouço, foi, talvez, um dos meus maiores aprendizados. Questionar e refletir antes de concordar com algo, seja lá o que for, é a maior prova da nossa capacidade como seres humanos. Hoje, não importa quem está falando, um ponto de interrogação sempre permanece ao final de suas palavras. Infelizmente, pouco vejo disso por aí e por aqui e, tendo em mente que também já agi assim, ainda creio que um mundo questionador surgirá.
          Ao final, vejo que penso e concordo com o Prof. Efraim: as únicas coisas que podemos concluir dessas opiniões não-fundamentadas é que essas têm o intuito de nos provocar ou então comprovar a ignorância da pessoa sobre algo e as limitações dessa como ser humano que é. 
            Que deixemos o silêncio reinar e que o som venha trazendo com ele a luz da sapiência. 
          =)


Caso o link deixar de funcinar, eis a referência: 
Efrain Rodrigues. Provocação ou ignorância? Em: http://ambienteporinteiro-efraim.blogspot.com/2011/12/provocacao-ou-ignorancia.html

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A guria de vestido verde

Ela dançava ao som da música. Seu corpo evolvia em movimentos perfeitos num tom compassado, em consonância com a melodia. Não vi seu rosto, mas tenho certeza que sorria. Ela usava um vestido verde. Parecia uma flor balançando com o vento. Foi isso que pensei naquele momento...


sábado, 22 de outubro de 2011

Delírios

A semana foi cheia. Talvez mais vazia do que cheia. Eu que me enchi de mim e das coisas. Quase me enchi das pessoas e suas vidas também. Isso fez a semana parecer cheia porque minha mente ficou cheia e assim eu fiquei cheio também.
Tenho aprendido a ver as coisas por um ângulo diferente, um ângulo que mostra que nada é o que é e tudo é o que é. Tudo depende de como eu olho pras coisas a partir do que eu entendo sobre elas. Isso faz sentido (mesmo parecendo que não!), mas vai você tentar colocar em prática. Em muitas coisas tenho conseguido e em outras tenho falhado. Questiono-me sobre o que estou fazendo no momento, mas no fim sempre vejo que é o melhor para eu fazer o que eu acredito que quero fazer. Bom, pelo menos para o momento é.
O que eu acredito sempre tem ido para o chão. Isso é bom, ótimo talvez. Ver nossas crenças sendo levadas embora com a última chuva mostra que estamos evoluindo naquele pensamento. No entanto, após a chuva ir, marcas profundas podem se revelar e nelas apenas o vazio e as marcas do que tinha lá. Mas também essa mesma chuva trouxe outras coisas que solaparam marcas antigas. Dinamismo. Isso mesmo, dinamismo. Nada fica como era após uma chuva. Nada.
Nisso tudo vejo que se estou cheio é porque me imagino cheio. Imaginação. Tanto bem nos faz, mas tanto mal também. Ainda me imagino um super-herói antes dos meus olhos fecharem à noite. Quando criança me perguntava se ainda seria capaz de imaginar isso com 30 anos. Ainda tenho 29 e continuo a imaginar. Será que com 50 ainda farei isso? Começo a confirmar que nosso Eu criança irá sempre nos acompanhar. Será que seria possível deixar essa criança guiar minha vida? Não me lembro de ter ficado cheio das coisas quando criança. Não lembro mesmo. Queria ser adulto logo para ser piloto de caça e hoje sou aprendiz-de-cientista. Bom, não sou adulto ainda, mas também não poderei mais pilotar caças. Pilotarei algo, quem sabe, assim como quero aprender a tocar violão. Já sei alguns acordes, mas ainda não sei afinar.
Isso me faz pensar quantas coisas já aprendi, coisas inúteis e coisas úteis. Inúteis...será que algo foi de fato inútil? Nada me vem à mente agora, mas tenho certeza que perdi algum tempo sentado numa sala de aula aprendendo coisas que não tenho usado hoje. Isso seria uma definição de ser inútil? Talvez não.
Sei que estou cheio. Talvez tudo o que aprendi tenha enchido demais minha mente de coisas inúteis e logo minhas crenças cairão novamente. Por um lado estou ansioso por isso, por outro espero estar preparado para tanto. Mas pensando por outro, talvez tudo seja um delírio da meia-noite de uma sexta-feira e nada disso existe de fato. Afinal, se nada é o que é e tudo é o que é, isso pode não ser nada do nada que é.

=)

domingo, 7 de agosto de 2011

Ilusões

Somos guiados por desejos, vontades, anseios, que, quando obtidos, revelam-se vazios, desprovidos de sentido e razão. Esses sentimentos nos enganam na nossa busca, fazem-nos acreditar que viver é simplesmente realizá-los. No entanto, o que buscamos está além disso, mas na verdade mais próximo do que tudo isso aí que se acredita ser o real sentido de acordar todos os dias. No final desse caminho ensandecido, os que conseguirem “acordar” ainda terão a chance de aproveitar o que de fato buscavam. Uns até antes. Outros não terão tal capacidade por não enxergarem a verdade (na verdade não acreditarão que tudo o que buscam é simplesmente aquilo...). Contudo, por experiência própria, vejo que temos que trilhar esse “falso” caminho para encontrar o verdadeiro, bem como diz a letra da música abaixo, ou pular para o seu último verso. Iluminados aqueles que conseguirão ou que pelo menos tentarão!
Principle of lust
(Enigma)
The principles of lust
are easy to understand
do what you feel
feel until the end
the principles of lust
are burned in your mind
do what you want
do it until you find
love...

Deu para entender?
=)